Precisamos falar sobre transgênero

A reportagem “Precisamos falar sobre transgênero” faz parte do projeto “Igualdade: iguais em nossas diferenças”, tema do projeto integrador 2016 dos cursos de Comunicação Social (Publicidade e Propaganda e Jornalismo) da Unicesumar – que deu início ao projeto Coletivo Reverso.

Falar sobre “igualdade” é complicado. Segundo colocou Naomi Neri, mulher trans que participou da reportagem, “igualdade é um termo falho. Tem que existir equidade, aonde eu possa ter as condições equitária aos outros”. Naomi, formada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), ficou conhecida por ser uma das primeiras mulheres trans a obter o diploma de graduação na universidade. Naomi também foi uma das primeiras a conseguir utilizar o nome social na instituição.

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O “nome social” é a forma como as pessoas preferem ser chamadas e identificadas pela sociedade, mesmo que o nome de registro civil seja diferente, e é uma forma de amenizar situações preconceituosas. “Fica muito claro como é destoante o tratamento que eu recebia e como recebo agora, em que as pessoas não me identificam como trans”, afirmou Naomi.

Medo

A transfobia é um assunto delicado e que precisa ser debatido. Segundo pesquisa da ONG Transgender Europe (TGEU), publicada em 2015, o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. Somente entre janeiro de 2008 e março de 2014, foram registradas 604 mortes no país. E o número de violência contra a comunidade LGBT só aumenta.

Segundo dados do Relatório sobre Violência Homofóbica no Brasil, de 2012, publicado pela então Secretaria de Direitos Humanos, houveram 3.084 denúncias de violações relacionadas à comunidade LGBT, envolvendo 4.851 vítimas, ou seja, foram 27,34 violações de direitos humanos em caráter homofóbico por dia, somente em 2012, um aumento de 166% em relação ao ano anterior.

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Para a trans Maia Cardoso, também existe o medo de aceitação. “Eu tive medo da minha família, principalmente. Tive medo de não conseguir emprego. Medo é a coisa que mais assombra. Eu tinha medo de me prostituir, de viver uma vida que não era minha. Mas havia um outro medo era não ser eu mesma. Esse venceu qualquer outro.”

Direitos

Apesar da falta de espaço e o grande preconceito existente, a discussão pelos direitos da comunidade trans está começando a ser discutido. Em abril desse ano, a ex-presidente Dilma Rousseff assinou um decreto que permite o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de pessoas transgênero no âmbito da administração pública. Ou seja, homens e mulheres trans podem usufruir de toda a máquina governamental, inclusive as políticas públicas de inclusão social, sendo tratadas pela identidade de gênero que os representam.

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Para a professora trans Viviane Silvestre, está acontecendo uma pequena revolução. “As mulheres ganharam vozes graças aos movimentos feministas, e agora nós, os transgêneros… está na nossa vez.”

Roteiro, filmagem, diagramação e logística por Maria Eduarda Martins, Renato Crozatti, Laryssa Cunha, Nayara Sakamoto, Vinícius Oberleitner e Dee Freitag.

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